Trabalhar três dias, descansar dois e trabalhar mais dois: essa é a lógica da escala conhecida como 3-2-2, adotada em alguns empregos na Islândia.
O modelo alterna os dias de trabalho e de folga ao longo de duas semanas e pode chamar a atenção de quem considera buscar uma oportunidade profissional no país.
Recentemente, José, um cozinheiro andaluz que vive na Islândia, explicou em detalhes nas redes sociais como esse método funciona.
“Alguns de vocês provavelmente já pensaram muitas vezes em ir trabalhar no exterior, e talvez uma das opções tenha sido vir para cá, para a Islândia. Para começar, o que mais ouvi falar foi o famoso 3-2-2. Você trabalha três dias, descansa dois e trabalha mais dois”, explicou.
Até aí, a quantidade de dias trabalhados e de folga é a mesma da escala 5x2, já adotada em parte dos empregos no Brasil: cinco dias de trabalho e dois de descanso.
A diferença aparece na semana seguinte desse modelo usado na Islândia, quando a distribuição se inverte: são três dias de descanso, dois de trabalho e outros dois de folga.
“No total, por mês, seguindo os turnos daqui, são cerca de 172 horas, mais ou menos”, explica, já que os turnos costumam durar de 11 a 12 horas. “No meu caso, vim com essa condição”, conta.
Ele, porém, não segue a escala 3-2-2, embora trabalhe essas mesmas 172 horas.
Considerando sete turnos de 11 a 12 horas em um ciclo de 14 dias, seriam sete dias de trabalho e sete de descanso. Assim, a média semanal de trabalho ficaria entre 38,5 e 42 horas.
A principal diferença em relação à escala 5x2 conhecida pelos brasileiros está na distribuição da jornada.
Nesse modelo adotado em alguns empregos na Islândia, as horas de trabalho ficam concentradas em menos dias, com turnos mais longos e mais folgas.
Assim, os trabalhadores cumprem a carga horária prevista no contrato, respeitando as regras aplicáveis à categoria.
Segundo as orientações do sindicato VR, em regra, deve haver pelo menos 11 horas consecutivas de descanso entre as jornadas, e o período diário de trabalho não deve ultrapassar 13 horas.
Além disso, a jornada semanal, incluindo as horas extras, não pode superar uma média de 48 horas ao longo de quatro meses.
Sobre essas horas extras, José explica que “são pagas a 190%, quase o dobro”, o que, segundo o espanhol, é uma vantagem porque, financeiramente, “não compensa para o dono colocar você para trabalhar mais horas do que deveria”.
Embora esses sejam os valores mencionados por José, as condições dependem do contrato, do acordo coletivo e do cargo. A Confederação Islandesa do Trabalho (ASÍ), por sua vez, informa que o valor de cada hora extra geralmente corresponde a 1,0385% do salário mensal pelo trabalho diurno regular.
Apesar dos turnos de 11 ou 12 horas, José vê vantagens na própria rotina. Segundo ele, “ao trabalhar tantas horas em um dia, você vai acumulando as horas do mês e, no fim, tem uma ou duas semanas livres, sem trabalhar”.
Ele acrescenta que, em alguns casos, o empregador oferece hospedagem como parte das condições de contratação. É preciso verificar, porém, se há cobrança ou desconto no salário.
Para quem aluga uma acomodação por conta própria, os valores variam conforme a região da Islândia e o tipo de imóvel.
“Estou em um vilarejo de apenas mil habitantes, divido um quarto e pagamos 400 euros por pessoa. Ou seja, 800 euros por um quarto. Em Reykjavík, sai muito mais caro”, explicou.
Quanto ao salário, “costuma ficar em torno de um mínimo de 2.800 euros”, segundo José. Mas “dependendo de onde você mora, vai ganhar mais ou menos. Depende de quantas horas você trabalha. Dependendo de quanto gasta, vai economizar mais ou menos”, explicou.
O valor citado por José não deve ser entendido como um salário mínimo nacional: na Islândia, os pisos salariais são definidos por acordos coletivos e variam conforme a categoria profissional.
Dependendo do acordo coletivo aplicável, há adicionais pelo trabalho em determinados horários — em alguns casos, a partir das 17h —, nos fins de semana e nos feriados.
Esses pagamentos podem aumentar a remuneração, enquanto a possibilidade de economizar depende também das despesas de cada trabalhador.
José garante que, como mora em um vilarejo onde não há com o que gastar, “estou economizando tudo”. Mas isso não o impede de aproveitar um país em que, para qualquer lado que se olhe, a natureza presenteia com paisagens espetaculares.